sábado, 9 de abril de 2016

Como a agricultura mudou o genoma Europeu

Quando os primeiros fazendeiros do Oriente Médio chegaram à Europa, há 8.500 anos atrás, trazendo com eles a habilidade de arar a terra, trouxeram mais do que um novo estilo de vida: eles causaram alterações em genes que mudaram a forma como os Europeus digeriam alimentos e se adaptavam a doenças.
Em um novo estudo publicado em novembro na revista científica Nature, um grupo de cientistas internacional sequenciou o DNA ancestral de 230 pessoas que viveram entre 3.000 e 8.500 anos na Europa, na Sibéria e na Turquia.
No início deste ano, esta mesma equipe publicou um artigo no qual explica como a seleção natural favoreceu a disseminação de genes para a pele branca, a alta estatura e para a capacidade de digerir açúcares do leite.
Fóssil humano europeu
Fóssil humano – Fonte: Science Magazine
No artigo publicado em novembro, os pesquisadores sequenciaram o DNA de outros esqueletos e descobriram que a transição para a agricultura também favoreceu genes para digerir gorduras, assim como genes imunes que protegem contra doenças infecciosas, como a tuberculose e a hanseníase. Curiosamente, a equipe também descobriu a disseminação de duas variantes genéticas associadas à doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten. Estas variantes podem ter sido favorecidas porque ajudam a compensar uma deficiência – associada com algumas dietas agrícolas – de um aminoácido chamado ergotioneína (derivado da histidina). Mas as variantes também têm o efeito colateral de aumentar doenças célicas e de Cronh (uma doença inflamatória do trato gastrointestinal).
Com isto podemos ter ideia de como uma mudança na alimentação pode ser importante e causar mudanças no nosso corpo – ou em todo um povo.